Casa do Sertanista – instalação de Sandra Cinto / Museu da Cidade de São Paulo

Sandra Cinto, A Casa das Fontes, 2013 (instalação, concreto) foto Ding Musa (detalhe 1)

Sandra Cinto, A Casa das Fontes, 2013 (instalação, concreto) foto Ding Musa (detalhe 1)

Uma das unidades do Museu da Cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura, a Casa do Sertanista, também conhecida como Casa do Caxingui, inaugura dia 06 de abril, sábado, às 14h, após obras de restauro, a instalação “A Casa das Fontes”, da artista Sandra Cinto.
Concebida especialmente para o espaço, a instalação é resultado da investigação realizada pela artista nos últimos meses sobre a arquitetura da casa e seu uso. A instalação consiste em um conjunto de fontes d’água funcionais de diferentes dimensões, que variam de um metro e meio a três metros de diâmetro, que ocupam os cômodos da casa.
Fundidas em concreto e de forte materialidade, as fontes fazem referência a própria contexto da cidade contemporânea, e a solidez da arquitetura bandeirista da Casa do Sertanista. O conjunto aponta um deslocamento para o espaço privado de elementos públicos e íntimos, em menção ao uso do espaço no século XVII, onde a casa e seu entorno reuniam uma série de funções, hoje inconcebíveis para uma casa, mas que por sua situação na cidade e seu isolamento em relação ao centro urbano, aconteciam na casa.
De fisicalidade seca, como os monumentos públicos ou as esculturas de decoram lápides sepulcrais, as fontes apontam para a idéia de ‘mundo em ruínas’. A água que circula na forte, deixa marcas sobre ela, e acelera seu desgaste. Ao mesmo tempo, uma fonte sempre remete ao imaginário de ‘fonte dos desejos’, onde ao jogar uma moeda, é concedido o direito a um pedido, no embate amplamente discutido no trabalho da artista, onde a constatação de um mundo em ruínas coexiste em silenciosa e contraditória harmonia com o desejo de dias melhores.
Sandra Cinto iniciou sua trajetória na década de 1990, realizando representações de céus e nuvens, contidas em caixas e armários. Seus objetos ou desenhos apresentam escadas, pontes, abismos, candelabros, velas acesas e árvores sem folhas e frutos em um ambiente fantástico. Nos últimos sete anos, a produção da artista se desdobrou para uma reflexão sobre a água, metáforas e representações dela, do céu noturno e do mar revolto. A água é também elemento fundamental na historia da arquitetura bandeirista, a localização das construções é sempre próxima aos rios, caminhos de deslocamento na cidade do século XVII. Em Casa das fontes a água em si, é o único outro elemento usado além do concreto, se opõe a sua solidez, e mesmo contida pelas fontes, se expande através do som e inunda o espaço.
SANDRA CINTO
Nasceu em 1968 em Santo André – SP. Vive e trabalha em São Paulo
Formada em educação artística nas Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – Fatea, em Santo André, Sandra Cindo vem expondo sua obra em todo o mundo ao longo dos últimos anos, realizando exposições individuais e coletivas em galerias e instituições no Brasil, Estados Unidos, França, Espanha, Argentina, Portugal e Japão. Entre suas exposições individuais destacam-se as realizadas no Seattle Art Museum (Seattle – EUA), The Phillips Collection (Washington – EUA), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo – Brasil), Museo de Arte Contemporáneo Fundação Fenosa (A Coruña – Espanha), Centre de Création (Bazouges la Perouse – França), Casa de America (Madri – Espanha), Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte – Brasil), Museu de Arte Moderna (São Paulo – Brasil), Centro Cultural São Paulo (São Paulo – Brasil), Capela do Morumbi (São Paulo – Brasil) e galerias representativas. Nas coletivas ganham destaque a participação XIV Bienal de São Paulo, Pavilhão da Bienal, São Paulo, Brasil; as Paralelas  de 2010, 2008, 2006 e 2001, São Paulo, Brasil; 2ª e 5ª Bienais de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; 2nd Trienal Poligráfica de San Juan: América Latina y El Caribe, San Juan, Porto Rico; Japan Brazil: Creative Art Session 2008, Kawasaki City Museum, Kawasaki, Japão; Parangolé, Fragmentos desde los 90, Museo Patio Herreriano, Valladolid, Espanha; 4a Bienal do Barro de América, Caracas, Venezuela; 26ª Bienal de Pontevedra, Pontevedra, Espanha; Elysian Fields, Centre Georges Pompidou, Paris, França; ARCO’99, Project Rooms, Madri, Espanha; Projeto Antarctica Artes com a Folha, Pavilhão Padre Manoel de Nóbrega, São Paulo, Brasil. Além disso suas obras figuram em coleções públicas de instituições de arte como a Pinacoteca do Estado de São Paulo; MAC-SP; MAM-SP; MAM-RJ; MAM-RE; Inhotim – Centro de Arte Contemporânea, Brumadinho, Brasil; Instituto de Arte Contemporânea de Boston, EUA; Museu de Arte Contemporânea de San Diego, EUA; Centro Galego de Arte Contemporánea, Santiago de Compostela, Espanha; Fundación Pedro Barrié de la Maza/Conde de Fenosa, A Coruña, Espanha; Fundación ARCO, Espanha e Albright – Knox Gallery, Buffalo, EUA; Bob and Renee Drake, Wassenaar, Holanda. A artista também atua como professora universitária e orientadora de grupos de estudo de artistas jovens no espaço Ateliê Fidalga, em São Paulo.
 
CASA DO SERTANISTA (CASA DO CAXINGUI)
 
Uma das unidades do Museu da Cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura, a Casa do Sertanista remonta a meados do século XVII. Sua arquitetura em três lanços, telhado de quatro águas e paredes em taipa de pilão é bastante característica das casas bandeiristas, obedecendo a um esquema fechado e rígido, tanto do ponto de vista da construção quanto no que se refere à definição arquitetônica, plástica e funcional.
Segundo pesquisas sobre a origem desta casa, o Padre Belquior de Pontes teria sido o primeiro morador de que se tem notícia. Sabe-se, entretanto, que no final do século XIX pertenceu à família Beu, sendo posteriormente transferida à família Penteado que acabou por vendê-la à Cia. City de Melhoramentos. Esta, por sua vez, doou o imóvel à municipalidade em 1958 que passou a recuperá-lo em 1966. Em 1970, concluídas as primeiras obras de restauro, foi instalado o “Museu do Sertanista”, voltado essencialmente para a cultura indígena.
Em 1989, por meio de um decreto de permissão de uso, esta casa histórica passou a abrigar o Núcleo de Cultura Indígena da União das Nações Indígenas, instalando-se, então, a Embaixada dos Povos da Floresta. Com a saída do Núcleo de Cultura Indígena em 1993, a casa passou por novas obras de conservação e restauro sendo ocupadade 2000 até 2007 pelo Museu do Folclore “Rossini Tavares de Lima”, que teve em 2008 seu acervo incorporado à coleção do Pavilhão das Culturas Brasileiras, passando por procedimentos de conservação e restauro.
Evento: “A Casa das Fontes”, instalação da artista Sandra Cinto
Abertura: 06 de abril 2013, sábado, das 14 às 18 horas
Período expositivo: de 07 de abril a 25 de agosto de 2013
Local: Casa do Sertanista / Caxingui
Pça. Dr. Enio Barbato, s/nº – Caxingui, São Paulo, SP
Fone: (11) 3726 6348
Aberto de terça a domingo, das 9 às 17 horas
Visitas orientadas. Entrada franca

 

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