A Margem – Coletivo Garapa / Centro Cultural São Paulo

Coletivo Garapa. Escala cromática do leito do Rio Tietê. (instalação fotográfica, 300x150 cm)

Coletivo Garapa. Escala cromática do leito do Rio Tietê. (instalação fotográfica, 300×150 cm)

O Coletivo Garapa inaugura no dia 06 de junho no Centro Cultural São Paulo – CCSP, a mostra “A Margem”, reunindo fotografias, instalações e vídeos realizados a partir de expedições feitas entre 2012 e 2013 por seis segmentos do Rio Tietê, baseados nas regiões dos municípios de Salesópolis, São Paulo, Itu, Barra Bonita, Penápolis e Itapura. Apresentada pelo crítico de fotografia e curador Eder Chiodetto, a mostra revela um novo olhar documental sobre a geografia e a história do importante rio que cruza o Estado de São Paulo.
Inspirados pelo legado dos artistas-viajantes de eras passadas – Teotônio José Juzarte, Hercules Florence, John Mawe e Auguste de Saint-Hilaire, entre outros – os integrantes do Coletivo Garapa partiram em direção ao rio. Após um primeiro estudo dos relatos, especialmente da “Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829”, de Hércules Florence, e do “Diário da Navegação”, de Teotônio José Juzarte, dividiram o rio em seis segmentos, e iniciaram uma série de viagens a fim de explorar cada um dos trechos escolhidos.
“Travestidos de pseudo-cientistas, artistas-viajantes, lançamos mão de uma série de experimentos e interpretações sensoriais em busca de conexões simbólicas: uma escala cromática tenta organizar as diferentes tonalidades da água ao longo do curso do rio, gráficos e mapas localizam, sem obrigação de precisão, cachoeiras existentes e extintas, erros de percurso, momentos de espanto, entre outros”, escrevem os artistas.
Para Chiodetto, os trabalhos expostos dialogam com a nova forma de pensar o documentarismo a por meio da fotografia. “É preciso representar seu objeto de estudo dentro da complexidade que lhe é nata e não domesticá-lo por um ponto de vista limitador e ideologicamente conformado”, escreve o crítico.
Camadas de história e lendas
Em Itu, um assassinato relatado por Hércules Florence em sua estada há quase duzentos anos mostra-se latente em um crime recente reportado pelo jornal local, segundo os membros do coletivo. Barbosa, um condomínio às margens do Salto do Avanhandava, hoje submerso, abriga réplicas em fibra de vidro dos animais encontrados pelos antigos exploradores.
Cada viagem trouxe diferentes leituras e reflexões, mas o acúmulo de impressões e experiências acabou por direcionar o olhar a um ponto de convergência: a visão do rio como uma imensa biblioteca cujas dimensões – históricas, míticas, simbólicas – tendem ao infinito.
Dizem os relatos que, nas profundezas de uma certa curva do Tietê, abaixo do salto de Avanhandava, vive o terrível monstro de Pirataraca, uma serpente gigante disposta a emborcar as canoas dos navegantes incrédulos. “Sair em busca desse monstro é um intento fadado ao fracasso, mas ainda assim uma busca. A margem, como o monstro, será sempre uma busca, estará sempre onde menos se espera”, ponderam os integrantes do Garapa.
Ao largo do curso do rio caminha o curso da rodovia. Sob a água das diversas represas construídas no seu leito repousam cidades, usinas, saltos antes intransponíveis. Entre todas essas camadas, acima e abaixo da superfície, a jusante e a montante, misturam-se hábitos, linguagem, imagens. “O que é o rio, então, senão a soma de todos os percursos já traçados sobre ele, e de todos os que ainda serão traçados? O que é o tempo senão a soma de todos os tempos?”, indagam-se os artistas-viajantes.
Rio Tietê
O Rio Tietê nasce a uma altitude de 1.027 metros da Serra do Mar, no município paulista de Salesópolis, a 22 Km do oceano Atlântico e a 96 Km da Capital. Ao contrário da maioria dos rios, que segue em direção ao mar, ele segue seus 1.136 km rumo ao interior, atravessando a região metropolitana de São Paulo em direção ao rio Paraná, no município de Itapura, banhando 62 municípios. Além de sua importância histórica como via de acesso ao interior, o Tietê – era chamado de Anhembi até o século XVII ­– possui considerável significado econômico, ligado principalmente aos períodos das Bandeiras, Monções, da cafeicultura e da industrialização. Sua bacia compreende seis sub-bacias hidrográficas: Alto Tietê, onde está inserida a Região Metropolitana de São Paulo; Piracicaba; Sorocaba/Médio Tietê; Tietê/Jacaré; Tietê/Batalha e Baixo Tietê. O lançamento de esgotos industriais inicia-se a 45 Km da nascente, na cidade de Mogi das Cruzes. Na zona metropolitana, o rio encontra o maior complexo urbano-industrial do país e conhece um de seus trechos mais poluídos, a foz do Rio Tamanduateí.
Coletivo Garapa (São Paulo, SP)
O Coletivo Garapa é um espaço de criação que tem como objetivo pensar e produzir narrativas visuais, integrando múltiplos formatos e imagens, pensando a imagem e a linguagem documental como campos híbridos de atuação. O Garapa  é formado por três fotógrafos egressos de redações de jornais e revistas (Leo Caobelli, Paulo Fehlauer e Rodrigo Marcondes). Ao se juntarem e criarem um núcleo de produção de trabalhos em plataforma multimídia, incorporaram também uma atitude interdisciplinar ao pensar a elaboração de suas reportagens, documentários e trabalhos autorais,  inclusive cruzando todas essas classificações e embaralhando as noções entre trabalho comercial, autoral, conceitual, jornalístico e artístico. Desde 2009, seus projetos “Morar”, “O Muro”, “Mulheres Centrais” e “Deslocamentos” vêm sendo expostos em museus, instituições e galerias brasileiros e também em espaços culturais na Argentina, Equador, México, Guatemala, Venezuela, Chile, Estados Unidos e Espanha. (www.garapa.org)

 

Evento: “A Margem”, exposição do Coletivo Garapa
Abertura: sábado, dia 6 de junho, às 19 horas
Período expositivo: de 7 de junho a 15 de agosto de 2013
Lançamento do livro “A Margem” no dia 15 de junho, às 15 horas
 
Local: Centro Cultural São Paulo – CCSP – Piso Flávio de Carvalho
Rua Vergueiro, 1000
CEP 01504-000 – Paraíso – São Paulo – SP
Tel.: (11) 3397 4002
Horários: de terça a sexta-feira, das 10 às 20 horas; e
sábados, domingos e feriados, das 10 às 18 horas
Entrada franca
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One Response to A Margem – Coletivo Garapa / Centro Cultural São Paulo

  1. Eder Chiodetto says:

    Olá pessoal, obrigado pela divulgação. Há um erro de informação, a abertura será hoje, dia 06, quinta, e não sábado como está no serviço. Grato. Eder

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