Ideia Morta – a frustração em delírios cintilantes / Museu do Trabalho

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abertura nesta quarta, dia 8 de outubro, às 19h30
9 de outubro a 23 de novembro de 2014

Museu do Trabalho

Rua dos Andradas, 230. Porto Alegre. RS. Brasil.

Terça a sábado das 13h30 às 18h30

Domingos e feriados das 14h00 às 18h30

(51) 3227 5196

museu@museudotrabalho.org

www.museudotrabalho.org

 

Há uma tríade de efes sugerida pelas imagens reunidas na exposição Ideia Morta
– A Frustração em Delírios Cintilantes, de Daniel Sasso: fato-farsa-fantasia.

Cada palavra decorre de uma leitura, da maneira que se reage à visão nada corriqueira de uma
mulher se lançando ao espaço, quando os pés se desgrudam de uma superfície elevada. Ou ainda
quando ela se detém sobre trilhos, confrontando o vagão que se aproxima. Não há fim em
nenhuma delas – tudo é começo. Cada cena surpreende e instaura uma nova possibilidade,
principalmente para quem traduz o mundo ancorado na vida que se tem, e não na que se poderia ter.

Fato. Se encaradas dessa forma, esta seria a associação imediata: suicídio. Esqueça-se disso.
O mundo está farto de literalidade. No universo das possibilidades sugeridas pelo trabalho de
Daniel, abandone a leitura que cumpre o protocolo da obviedade. O mundo pode ser tão
previsível que o entendimento das pessoas beira a grosseria, deformação de olhos
viciados, embrutecidos ou preguiçosos. A vida é mais do que fatos.

Farsa. Esqueça também. Não existe tapeação nessas imagens que sugerem mulheres aladas e
destemidas, quase mitológicas, quase impossíveis, senhoras do acaso. Não há engodo, mentira,
embuste. Não seja ingênuo em pensar que a fotografia guarda compromisso com a realidade.
Nem mesmo da foto documental se poderia exigir um estatuto de verdade, como se o registro
fosse testemunho de fé sobre a existência de algo. A verdade é uma perspectiva, um compromisso
do autor com a situação ou o personagem fotografados. Trata-se de uma relação ética, uma intenção.
A farsa resulta da traição do olhar de quem faz – ou de quem vê.

Fantasia. Bem-vindo seja a este reino tão necessário e abandonado. Humanos são terrestres e
não nasceram para voar, mas as mulheres de Daniel conseguem mais do que meramente caminhar
porque o artista se insurge. Ele desdenha a previsibilidade dos fatos e a doença coletiva que torna
o olhar refém da mesmice. Se manipulou, se de fato flagrou uma das cenas, pouco importa
– a fantasia independe do que se vê, ela resulta de como se vê. Sem ela, resta a loucura.

Vitor Necchi

 

 

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